Responsável Técnico - Dr. Avelino Vicente Guzzi | CRM 9959

Setembro Verde e a Prevenção de Câncer Colorretal

O câncer colorretal interessa para várias áreas do saber, entre elas: a Medicina, a Nutrição, a Estomaterapia e a Psicologia.

Em função do setembro verde, quero salientar esse tema nessa matéria. Já tenho uma vivência de 19 anos assistindo pessoas que sofreram com a doença e que necessitaram derivar seu intestino para o abdome. Acompanho seus sofrimentos, dores e angústias, mas também a luta pela vida. Constato que a maioria de meus clientes tem sido capazes de superar as dificuldades impostas pela doença, buscando um novo sentido à experiência.

O quão frequente é esse câncer? Em cada país pode ser diferente, estando os casos em crescimento ou até redução. Apenas para exemplificar, num estudo japonês, o CC é o mais incidente dos cânceres – 6,654 casos, com 16,0% (1); na China, o CC está em quarto lugar (28,64%), entre dos dez principais (2); na Austrália está havendo aumento da incidência em faixas etárias mais jovens (3), o que mostra uma preocupação na saúde pública. No Brasil, numa avaliação de casos entre 1980-2013, constatou-se que o câncer colorretal tem tido aumento das taxas de sua mortalidade nas últimas três décadas (4). O Instituto Nacional de Câncer regista, por ano, cerca de 34 mil novos casos deste tipo de tumor. Isso é bem preocupante, não é?

O que causa o câncer colorretal? É difícil saber, porque câncer em si pode ter diferentes causas. E o com o tumor de cólon e reto certamente não é diferente. Mas encontro um estudo nacional que aponta uma relação com o estilo de alimentação, aumentando naqueles que consumem mais carne e menos de vegetais, frutas e grãos integrais (5). Então, é bom pensar que o que comemos pode fazer toda diferença em nossa saúde.

O câncer colorretal é a maior causa de realização de estomias intestinais. Quando não há possibilidade de refazer a comunicação do intestino (a anastomose), os cirurgiões necessitam abrir uma boca no abdome (estomias) para poder ser eliminado o conteúdo fecal.

Não se pode jamais esquecer que as estomias são a essência de um Estomaterapeuta (ET), porque foram destas que a especialidade se originou há mais de 50 anos. A pessoa estomizada, seja definitiva ou temporariamente, necessitará dos bons cuidados e orientações de um ET para aprender a lidar com seu novo corpo. Isso inclui a manipulação da estomia, dos equipamentos coletores, reforço nas orientações sobre a nutrição, a vida social e íntima, entre outros. Um ET, usando seu saber em educação em saúde, ajuda a pessoa com estomia a realizar seu autocuidado, a fim de alcançar a melhor reabilitação possível.

Embora a estomia seja o que possibilite manter a vida, não há dúvidas que a pessoa sofre alteração na sua imagem corporal, pois a anatomia e função estão modificadas e, portanto, precisará ressignificar esse corpo e integrar na sua psique-soma essa experiência. Dessa ressignifação, dependerá o melhor ajuste da pessoa com essa nova condição corporal, especialmente se definitiva.

Verifica-se que quanto mais jovem a pessoa e quanto maior o peso corporal, mais alteração na imagem corporal pode ser encontrada, sendo os homens os mais afetados. Na primeira condição, isso se dá pelo fato das pessoas mais jovens terem mais preocupação com sua aparência e estarem mais ativas na vida social e sexual. Já quanto a obesidade, a está dificuldade em ajustar as vestimentas (6). Nessa questão da obesidade, destaca-se também a dificuldade que as Estomaterapeutas têm para ajustar equipamentos coletores, e também o fato dessas pessoas correrem sempre riscos das suas bases soltarem e haver extravasamento do conteúdo fecal, causando-lhes enorme constrangimento quando ocorre em ambientes públicos.

A depressão e ansiedade podem se fazer presentes nesses pacientes, necessitando atenção psicológica e por vezes psicoterapia. Assim, é importante que os profissionais mais próximos dessas pessoas, como médicos e enfermeiros, percebam as necessidades emocionais dos pacientes e os referendem para os psicólogos ou psicanalistas. O melhor é que isso fosse feito já no pré-operatório.

O Setembro Verde

Diante no exposto, considero que essas são boas razões para mais divulgação nas mídias a respeito do câncer colorretal. Assim, viva o setembro verde! Pode ser verde de verdura, vegetais, mas, também, verde de esperança em mudança no estilo de vida da população, e com isso vislumbrar-se a redução da ocorrência de uma doença que tem potencial de prevenção.

Invista na sua saúde. Alimente-se bem e evacue bem, pois a alimentação rica em fibras, a ingestão de líquidos, compatível ao peso corporal, e a evacuação das fezes em posição correta poderão ser aliadas na prevenção desse câncer. Desse modo, uma estomia pode ser evitada e a imagem de seu corpo ser mantida do modo como veio ao mundo, com cada órgão no seu lugar. Mas, se você já tem uma estomia devido ao câncer colorretal, aceite a vida recebida e viva-a em toda sua plenitude, ressignificando sua existência num corpo com uma modificação que não incapacita o viver. Colabore com a campanha. Compartilhe!

Beatriz Farias Alves Yamada
Estomaterapeuta e Psicóloga Clínica
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Fonte: Oncoguia